O Samba “cantado” nas terras do frevo
Fantasias, adereços e alegorias misturados ao ritmo dos maracatus, caboclinhos e afoxés
| Foto: Rhayana Fernandes/VariandoImagens |
Organizado em escolas, o samba acontece em
quase todos os estados brasileiros, com uma presença mais forte no Rio de
Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco. Essa manifestação popular, em nosso
estado, adquire atributos próprios, como por exemplo, a inclusão de
instrumentos de execução utilizados no frevo, maracatu, caboclinho e afoxé.
Desde os tempos coloniais, a palavra “escola”
foi utilizada primeiramente pelos velhos sambistas cariocas, dando a
uniformidade das vestimentas do bloco e o aspecto de grupo comparando assim a
Escolas de Samba. Chegou a Recife na década de 40 com o nome de Mimosas da
Folia, através de um navio que desembarcou no Porto, onde continha entre os
tripulantes, uma banda marcial e elementos que formava um bloco de samba, com
isso desfilou na cidade pela primeira vez.
Essa festa que é um misto de fantasias,
adereços e alegorias passa por um ritual em que o enredo é o hino, e o casal de
Mestre-Sala e Porta-Bandeira se transforma em um dos elementos mais
representativos de desfile. Não esquecendo o conjunto formando pela comissão de
frente, os destaques, as passistas demonstrando toda a sua sensualidade, e o
“coração” da agremiação: a bateria da escola de samba, composta por surdos,
agogôs, repiques, pandeiros, caixas, apitos, tamborins, cuícas, reco-recos, ganzás
e chocalhos, elementos esses que sustentam toda a apresentação do canto e a
evolução do grupo.
Em Pernambuco, essa cultura é arraigada de
história e conta com o apoio da Federação Carnavalesca de Pernambuco,
Associação das Escolas de Samba de Pernambuco (AESPE), e a Federação das
Escolas de Samba de Pernambuco (FASEPE), entidades representativas das escolas
do Estado que em 2003 receberam a ajuda da Fundação de Cultura do Estado de
Pernambuco que assumiu o evento unificando a competição na cidade.
As
escolas de grande destaque que fazem o carnaval de Pernambuco são: Grêmio
Recreativo Escola de Samba Gigante do Samba, Grêmio Recreativo Galeria do Ritmo
e o Grêmio Recreativo Escola Preto Velho.
“O samba sofre muito preconceito em
Pernambuco, sobretudo em Olinda, onde tem o frevo é como principal ritmo
musical da região”, enfatizou o Presidente da Escola de Samba Preto velho,
Clovis Ferreira, que está na gestão há 10 anos.
Inspirada pelas escolas cariocas como a
Magueira, por exemplo, essa agremiação formada pelas cores verde, rosa e
branco, conta com mais de 700 integrantes, entre eles jornalistas, advogados e
funcionários públicos, alem dos seus 80 percussionista e a sua Porta-Bandeira.
A Preto Velho tem seu grande diferencial, por
não esta centrada em apenas uma comunidade e sim, em várias comunidades de
Olinda e Recife, onde recebe várias influencias artísticas e preza pelo bem
estar de cada sócio e visitante em sua sede situada na Sé, na Cidade Alta de
Olinda.
“Há 37 anos lutamos para fugir do estereótipo
de uma cidade do frevo”, ressaltou o Relações Públicas da Escola, Artur Jansin.
Que segundo ele toda a renda é feita pela consumação de bebidas dentro da
quadra deixando a parte gastronômica por conta das tradicionais tapioqueiras de
Olinda.
Rafael Vieira de 20 anos, é um dos diversos
integrantes que tem o samba no pé: “Sou sambista e faço parte da escola já faz
algum tempo e estou todos os domingos marcando presença na quadra do Preto
Velho”, conclui. A escola não cobra nenhuma taxa aos seus sócios, isso inclui a
fantasia para desfilar durante o carnaval.
Todo lucro recebido auxilia a incrementar o
caixa que no final das contas pode chegar a 80 mil reais para colocar a escola
na Avenida Nossa Senhora do Carmo, que fica entre os bairros de Santo Antonio e
São José.
Assim como a Escola de Samba Preto Velho,
outras agremiações passam pelo mesmo problema, desvincular os atributos
deixados pelas grandes escolas de samba cariocas para estabilizar de fato, as
características pernambucanas.
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