sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Cultura


O Samba “cantado” nas terras do frevo

Fantasias, adereços e alegorias misturados ao ritmo dos maracatus, caboclinhos e afoxés



Foto: Rhayana Fernandes/VariandoImagens

Organizado em escolas, o samba acontece em quase todos os estados brasileiros, com uma presença mais forte no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco. Essa manifestação popular, em nosso estado, adquire atributos próprios, como por exemplo, a inclusão de instrumentos de execução utilizados no frevo, maracatu, caboclinho e afoxé. 

Desde os tempos coloniais, a palavra “escola” foi utilizada primeiramente pelos velhos sambistas cariocas, dando a uniformidade das vestimentas do bloco e o aspecto de grupo comparando assim a Escolas de Samba. Chegou a Recife na década de 40 com o nome de Mimosas da Folia, através de um navio que desembarcou no Porto, onde continha entre os tripulantes, uma banda marcial e elementos que formava um bloco de samba, com isso desfilou na cidade pela primeira vez.

Essa festa que é um misto de fantasias, adereços e alegorias passa por um ritual em que o enredo é o hino, e o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira se transforma em um dos elementos mais representativos de desfile. Não esquecendo o conjunto formando pela comissão de frente, os destaques, as passistas demonstrando toda a sua sensualidade, e o “coração” da agremiação: a bateria da escola de samba, composta por surdos, agogôs, repiques, pandeiros, caixas, apitos, tamborins, cuícas, reco-recos, ganzás e chocalhos, elementos esses que sustentam toda a apresentação do canto e a evolução do grupo.

Em Pernambuco, essa cultura é arraigada de história e conta com o apoio da Federação Carnavalesca de Pernambuco, Associação das Escolas de Samba de Pernambuco (AESPE), e a Federação das Escolas de Samba de Pernambuco (FASEPE), entidades representativas das escolas do Estado que em 2003 receberam a ajuda da Fundação de Cultura do Estado de Pernambuco que assumiu o evento unificando a competição na cidade. 

 As escolas de grande destaque que fazem o carnaval de Pernambuco são: Grêmio Recreativo Escola de Samba Gigante do Samba, Grêmio Recreativo Galeria do Ritmo e o Grêmio Recreativo Escola Preto Velho.

“O samba sofre muito preconceito em Pernambuco, sobretudo em Olinda, onde tem o frevo é como principal ritmo musical da região”, enfatizou o Presidente da Escola de Samba Preto velho, Clovis Ferreira, que está na gestão há 10 anos.

Inspirada pelas escolas cariocas como a Magueira, por exemplo, essa agremiação formada pelas cores verde, rosa e branco, conta com mais de 700 integrantes, entre eles jornalistas, advogados e funcionários públicos, alem dos seus 80 percussionista e a sua Porta-Bandeira.

A Preto Velho tem seu grande diferencial, por não esta centrada em apenas uma comunidade e sim, em várias comunidades de Olinda e Recife, onde recebe várias influencias artísticas e preza pelo bem estar de cada sócio e visitante em sua sede situada na Sé, na Cidade Alta de Olinda.

“Há 37 anos lutamos para fugir do estereótipo de uma cidade do frevo”, ressaltou o Relações Públicas da Escola, Artur Jansin. Que segundo ele toda a renda é feita pela consumação de bebidas dentro da quadra deixando a parte gastronômica por conta das tradicionais tapioqueiras de Olinda.

Rafael Vieira de 20 anos, é um dos diversos integrantes que tem o samba no pé: “Sou sambista e faço parte da escola já faz algum tempo e estou todos os domingos marcando presença na quadra do Preto Velho”, conclui. A escola não cobra nenhuma taxa aos seus sócios, isso inclui a fantasia para desfilar durante o carnaval.

Todo lucro recebido auxilia a incrementar o caixa que no final das contas pode chegar a 80 mil reais para colocar a escola na Avenida Nossa Senhora do Carmo, que fica entre os bairros de Santo Antonio e São José.

Assim como a Escola de Samba Preto Velho, outras agremiações passam pelo mesmo problema, desvincular os atributos deixados pelas grandes escolas de samba cariocas para estabilizar de fato, as características pernambucanas.  

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